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No artigo desta semana, “O Reino dos Céus começa aqui”, o bispo da Diocese de Osório, dom Jaime Pedro Kohl, convida os fiéis a refletirem sobre as parábolas do Reino de Deus apresentadas no Evangelho deste domingo, 26. Inspirado no capítulo 13 de São Mateus, o bispo destaca que o Reino dos Céus não é apenas uma promessa para a vida futura, mas uma realidade que já começa a ser vivida por aqueles que acolhem o Evangelho e fazem dele um estilo de vida.

Ao comentar as parábolas do tesouro escondido, da pérola preciosa e da rede lançada ao mar, dom Jaime ressalta que o Reino de Deus é um dom que exige compromisso e escolhas concretas. Mais do que um bem a ser conquistado, trata-se de uma realidade a ser acolhida e vivida diariamente, por meio da justiça, da fraternidade e da fidelidade aos ensinamentos de Cristo.
Encerrando a reflexão, o bispo recorda as palavras de Jesus: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33), reforçando que a construção do Reino começa nas atitudes de cada cristão. Dom Jaime também incentiva os fiéis a valorizarem a sabedoria transmitida pelas gerações anteriores, reconhecendo que a busca pelo Reino dos Céus é um caminho que se constrói na vida cotidiana e conduz à esperança da plenitude em Deus.
Leia o artigo completo:
O Reino dos Céus começa aqui
O tema do Reino é um dos mais recorrentes nos evangelhos, especialmente em Mateus. O capítulo 13 é um sermão feito em parábolas para dar uma ideia do que seja o Reino dos Céus, mas não consegue defini-lo num único conceito. Esse Reino vai sendo compreendido na perspectiva do “já e do ainda não”. Já está próximo, presente e, ao mesmo tempo, não tem como dizer onde está. Podemos afirmar que é o tema mais recorrente nos evangelhos e o principal critério de valor, ou seja, se o que propomos e fazemos está em conformidade com o Reino dos Céus, então podemos ter a certeza de que é coisa boa. Caso não esteja, não é bom.
As duas parábolas, do tesouro escondido e da pérola preciosa, mostram a importância de encontrá-lo e, para tanto, vale a pena vender ou desfazer-se de tudo o que se tem para comprar aquele bem. Não esquecer que a linguagem parabólica é comparativa para ajudar na compreensão. O Reino dos Céus não é algo que se pode comercializar, comprar e vender, mas que pode ser adquirido por um estilo de vida em conformidade com o ideal do Reino. Mais que algo a adquirir, é uma realidade a acolher como dom, mas não sem compromisso; pelo contrário, como algo que compromete o nosso viver.
A terceira parábola, dizendo que o Reino dos Céus é como uma rede lançada ao mar, que pega peixes de todos os tipos, mas que depois os pescadores separam, recolhendo os bons em cestas e jogando fora os que não prestam como alimento, quer dizer que haverá um momento em que o Juiz/Deus fará justiça de acordo com o comportamento de cada um. Isso deixa a entender que a acolhida do Reino dos Céus é todo um estilo de vida a ser assumido e vivido.
Nosso texto conclui dizendo que o discípulo do Reino é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. Podemos compreender que a vida da pessoa é um caminho feito de escolhas contínuas, que carregamos na nossa bagagem e que nos prepararam para o Reino definitivo. Hoje, lembrando nossos avós, certamente teriam muitas coisas boas, novas e velhas, para partilhar com seus filhos e netos. Não deixemos de valorizar a sabedoria acumulada das suas buscas do Reino dos Céus e que pode nos abrir caminhos novos.
Para todas as pessoas de boa vontade, podemos concluir com Mt 6,33: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais vos será dado por acréscimo”. Se ele começa aqui, acolhê-lo já é uma decisão inteligente. A confiança na presença de Deus no caminho a percorrer é de uma importância incalculável.
Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório

