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A Prefeitura de Torres encaminhou à Câmara de Vereadores o Projeto de Lei nº 75/2026, que solicita autorização legislativa para contratar operações de crédito de até R$ 75 milhões junto ao Badesul Desenvolvimento S.A. e ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Conforme a proposta, os recursos serão destinados a despesas de capital, especialmente investimentos em infraestrutura urbana e rural, pavimentação, drenagem, mobilidade urbana, construção e reforma de prédios públicos, além da qualificação de espaços públicos e ampliação de serviços municipais.
O projeto estabelece ainda que, para garantir o pagamento da operação de crédito, o Município poderá oferecer como garantia receitas provenientes da arrecadação tributária, incluindo cotas do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Os prazos de amortização, carência e demais encargos financeiros serão definidos conforme as normas do Senado Federal e das instituições financeiras. Após a contratação, o Executivo deverá encaminhar à Câmara, em até 30 dias, cópia dos contratos firmados.
Na justificativa encaminhada aos vereadores, o Executivo afirma que o financiamento permitirá antecipar investimentos considerados estruturantes, argumentando que muitas obras exigem elevado volume de recursos e planejamento de médio e longo prazo. A administração sustenta ainda que a contratação observará a capacidade de endividamento do município e a legislação vigente.
IMPACTO FINANCEIRO
O pedido de autorização para um novo financiamento, entretanto, chega em um momento de intenso debate sobre a situação financeira do município. Paralelamente, o Executivo pretende apresentar à Câmara a proposta de implantação da tarifa zero no transporte coletivo, encaminhou um projeto de reforma administrativa, ainda não definiu a realização de concurso público para suprir demandas do quadro de servidores e necessita discutir medidas relacionadas ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).
Parte dessas propostas já motivou manifestações de órgãos de controle, que apontaram preocupação com a sustentabilidade financeira do município nos próximos exercícios, especialmente diante da ausência de projeções consolidadas sobre seus impactos orçamentários e financeiros no médio prazo.
Nesse contexto, o pedido de um empréstimo de R$ 75 milhões amplia os questionamentos sobre o planejamento fiscal da administração municipal. Até o momento, não foi apresentado de forma consolidada à sociedade e ao Legislativo um estudo que demonstre o impacto financeiro conjunto dessas medidas para os próximos três anos, permitindo avaliar a capacidade do município de absorver novos compromissos sem comprometer investimentos futuros e a prestação de serviços públicos.
FINACIAMENTOS
Embora a contratação de financiamentos seja um instrumento previsto na legislação e utilizado por diversos municípios para viabilizar investimentos, especialistas em finanças públicas ressaltam que operações de crédito devem estar inseridas em um planejamento de longo prazo, acompanhado de estudos que demonstrem sua sustentabilidade e compatibilidade com as demais políticas públicas em discussão.
Agora, caberá aos vereadores analisar não apenas a necessidade dos investimentos propostos, mas também a capacidade financeira do município para assumir uma dívida dessa magnitude em um cenário marcado por outras iniciativas que também podem gerar impacto permanente sobre as contas públicas.

