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Queda na vacinação abre caminho para o retorno de doenças evitáveis

por Melissa Maciel
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A queda na cobertura vacinal voltou a colocar doenças que já foram controladas sob atenção das autoridades de saúde. Em Torres, o responsável pelo Serviço de Epidemiologia Municipal, Renan Emerim, alerta para a necessidade de a população revisar a carteira de vacinação e manter as doses previstas no calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) em dia. O alerta ganha ainda mais relevância diante do avanço dos casos de sarampo no Brasil e da redução na procura por vacinas de rotina.

Segundo Renan, a desacreditação das vacinas nos últimos anos não ficou restrita à imunização contra a Covid-19. A redução da confiança atingiu diferentes vacinas e já aparece nos indicadores de cobertura. A vacina BCG, que protege contra formas graves da tuberculose, e imunizantes contra sarampo, hepatite B e tétano, por exemplo, também não têm alcançado as metas esperadas.

Um dos exemplos mais expressivos é a vacina contra a influenza. De acordo com o responsável pela Epidemiologia de Torres, a cobertura atualmente está em torno de 57%, enquanto em anos anteriores o município chegou a registrar índices de 95%, 97% e até 98%. Em determinados períodos, o percentual ultrapassou 100% porque Torres recebe grande fluxo de turistas, que também podem ser vacinados pelo SUS.

“A vacina é porta aberta”, reforça Renan. Isso significa que qualquer pessoa pode procurar uma unidade de saúde para se vacinar, independentemente de ser moradora de Torres ou de outro município. Para receber a vacina, é necessário apresentar um documento. A carteira de vacinação deve ser levada sempre que possível, pois permite aos profissionais verificar o histórico e evitar doses desnecessárias.

SARAMPO RETORNA

A preocupação atual também está relacionada ao aumento dos casos de sarampo. Conforme os dados apresentados por Renan, o Brasil registrou 41 casos em 2022, nenhum em 2023, cinco em 2024, 38 em 2025 e 24 casos confirmados até o final de julho de 2026.

O cenário chama atenção porque os registros mais recentes incluem casos classificados como autóctones, ou seja, de transmissão adquirida dentro do próprio território. No Estado de São Paulo, até o final de julho, foram confirmados 20 casos autóctones de sarampo. Segundo o epidemiologista, 75% desses casos ocorreram em crianças menores de cinco anos.

Entre os registros paulistas, 10 casos foram identificados em crianças com menos de um ano de idade. Também houve um caso confirmado em uma criança com menos de seis meses, faixa etária em que a vacinação contra o sarampo não é indicada porque o organismo ainda não produz resposta imunológica adequada ao imunizante.

A situação demonstra a importância da vacinação não apenas para proteção individual, mas também para reduzir a circulação do vírus e proteger pessoas que ainda não podem ser imunizadas.

VIAGENS EXIGEM ATENÇÃO

A recomendação é especialmente importante para quem pretende viajar para regiões ou países com circulação do sarampo. Renan orienta que a população procure uma sala de vacinação antes da viagem para que a equipe verifique o histórico vacinal.

Entre os destinos mencionados estão São Paulo, Estados Unidos, Canadá e México, que registraram números expressivos de casos. Segundo os dados apresentados na entrevista, os Estados Unidos tiveram 2.281 casos em 2025 e 2.465 em 2026. O Canadá registrou 5.462 casos em 2025 e 1.114 em 2026, enquanto o México passou de 6.717 casos em 2025 para 12.571 em 2026.

A orientação é que a vacina seja realizada pelo menos 15 dias antes da viagem, permitindo tempo para o organismo desenvolver a resposta imunológica.

RECOMENDAÇÃO

Para pessoas de 1 a 29 anos, são recomendadas duas doses contra o sarampo. Entre 30 e 59 anos, a indicação é de uma dose, conforme o histórico vacinal. Quem possui registro das doses necessárias não precisa repetir a vacinação.

Mesmo para quem perdeu a carteira de vacinação, a orientação é procurar uma unidade. As equipes podem realizar uma busca nos sistemas disponíveis e recuperar registros do histórico vacinal. Atualmente, os dados também são inseridos no sistema digital e podem aparecer no aplicativo Meu SUS Digital.

CRIANÇAS PROTEGIDAS

A atenção deve ser redobrada com as crianças. A vacinação de rotina contra o sarampo começa a partir de um ano de idade. Crianças com mais de seis meses e menos de um ano podem receber uma dose antecipada quando houver viagem para local com circulação da doença, mediante apresentação de comprovante da viagem, como passagem ou reserva de hospedagem.

Essa dose antecipada, porém, não substitui a dose prevista para os 12 meses. Se a criança receber o imunizante aos 11 meses, por exemplo, deverá fazer novamente a vacinação de rotina após o intervalo indicado pelos profissionais de saúde.

Já crianças menores de seis meses não recebem a vacina contra o sarampo porque o imunizante não produz a resposta de anticorpos esperada nessa faixa etária.

HORA DE CONFERIR

Agosto também é marcado pela campanha de multivacinação, que tem como objetivo identificar e atualizar doses eventualmente atrasadas. A orientação é simples: levar a carteira da criança até uma sala de vacinação. Se não houver nenhuma dose pendente, não será necessário aplicar vacina. Se houver atraso, a equipe fará a atualização conforme o calendário.

Para o responsável pelo Serviço de Epidemiologia Municipal, o momento exige uma mudança de comportamento. A vacinação não deve ser procurada somente diante de uma viagem, de uma campanha ou do surgimento de uma doença. A recomendação é utilizar o atendimento de rotina para revisar toda a situação vacinal.

DIA D

O próximo Dia D da Multivacinação será realizado no sábado, 22 de agosto, com atendimento das 8h às 16h30 em todas as unidades. A unidade do São Brás também terá vacinação disponível por meio de uma sala volante.

A orientação da Epidemiologia é que a população aproveite a mobilização para levar crianças, adolescentes e adultos para conferir a carteira de vacinação. O objetivo é identificar doses em atraso e atualizar a proteção contra diferentes doenças.

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