Presidente da Câmara, Igor Beretta, e vereador Gibraltar Vidal (Gimi) abordaram em entrevista à Rádio Maristela demandas regionais, situação do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, visita ao Canil Municipal, tarifa zero e reforma administrativa
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A saúde pública, a destinação de recursos para o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, a estrutura regional de atendimento, a situação do Canil Municipal, o futuro do transporte coletivo e a reforma administrativa estiveram entre os principais assuntos discutidos pelos vereadores de Torres Igor Beretta (MDB), presidente da Câmara, e Gibraltar Vidal (Gimi) (PP), durante entrevista à Rádio Maristela nesta terça-feira (18).
Ao longo da conversa, os parlamentares também defenderam que a população avalie, durante o período eleitoral, a atuação de deputados estaduais, federais e senadores que receberam votos no município e o retorno efetivamente destinado a Torres. Segundo eles, a cidade enfrenta demandas que ultrapassam os limites municipais, especialmente nas áreas de saúde e assistência, mas nem sempre recebe contrapartidas proporcionais de outros municípios da região.
Saúde é apontada como principal preocupação
A situação da saúde pública foi um dos principais pontos abordados por Gimi. O vereador destacou a dificuldade enfrentada por moradores que precisam de atendimentos especializados e procedimentos de maior complexidade, como exames, tratamentos oncológicos e procedimentos cardíacos.
Segundo ele, a estrutura existente ainda não atende plenamente às necessidades da população do Litoral Norte. O vereador também criticou a dificuldade de acesso a determinados serviços e defendeu uma atuação mais efetiva de representantes políticos estaduais e federais na busca por investimentos para a região.
Gimi afirmou ainda que costuma questionar candidatos que procuram apoio eleitoral sobre o conhecimento que possuem das necessidades de Torres e dos demais municípios do Litoral Norte. Para ele, os representantes precisam conhecer a realidade da região durante todo o ano, e não apenas durante a temporada de verão.
Na avaliação do vereador, ainda existe uma visão de que o Litoral Norte é predominantemente formado por cidades voltadas ao turismo. Ele citou o crescimento da construção civil, do comércio, dos restaurantes e da prestação de serviços como exemplos de uma economia que se diversificou.
Dimes também destacou o peso da construção civil na economia local e mencionou a geração de empregos pelo setor. Para ele, esse cenário demonstra que Torres possui uma dinâmica econômica permanente e uma população que necessita de serviços públicos estruturados durante todo o ano.
Vereadores defendem cobrança de representantes eleitos
Igor Beretta concordou com a necessidade de avaliar a atuação dos parlamentares que recebem votos em Torres. O presidente da Câmara defendeu que os eleitores conheçam o histórico de atuação dos candidatos e verifiquem quais recursos foram destinados ao município.
Como exemplo, Beretta citou o deputado federal Márcio Biol, que, segundo ele, destinou aproximadamente R$ 2,7 milhões para Torres durante o período em que esteve no mandato. O vereador afirmou que parte desses recursos foi direcionada à área da saúde, incluindo o hospital.
A discussão também envolveu a necessidade de acompanhar a atuação dos parlamentares que possuem votação expressiva no município. Dimes relatou que há casos de candidatos que obtiveram votos em Torres, mas, segundo sua avaliação, não mantiveram posteriormente uma atuação próxima da cidade.
Os vereadores defenderam que o eleitor considere, além de questões partidárias e ideológicas, a capacidade de articulação e o histórico de investimentos destinados ao município.
Durante a entrevista, também foi citado o processo de implantação e ampliação do sistema de esgotamento sanitário de Torres. Beretta ressaltou a importância da infraestrutura para o desenvolvimento urbano e afirmou que a cidade passou por um período de restrições relacionadas à ausência de tratamento de esgoto.
Segundo o vereador, atualmente cerca de 80% do esgoto do município seria coletado e 100% do volume coletado seria tratado. A obra foi apontada como um exemplo de investimento de grande impacto, embora nem sempre seja percebida diretamente pela população.
Litoral Norte precisa de estrutura regional, dizem vereadores
Outro ponto levantado pelos parlamentares foi o papel desempenhado por Torres no atendimento de demandas de outros municípios do Litoral Norte.
Gimi afirmou que a cidade acaba concentrando serviços que atendem moradores de diferentes municípios, especialmente nas áreas de saúde e assistência social. Na avaliação dele, essa condição gera custos para o município que nem sempre são acompanhados de uma contrapartida financeira proporcional.
Beretta reforçou a crítica e citou o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes como exemplo. Segundo ele, enquanto Torres destina recursos próprios e busca emendas parlamentares para a instituição, municípios vizinhos poderiam ampliar a participação no financiamento do atendimento regional.
O presidente da Câmara afirmou que, somente por meio das emendas impositivas dos vereadores, a destinação anual para o hospital chega, segundo sua estimativa, a aproximadamente R$ 1,5 milhão. Ele também mencionou a busca de recursos junto a deputados para a área da saúde.
Para os vereadores, a discussão sobre o financiamento dos serviços regionais precisa considerar que Torres atende uma população que vai além dos seus moradores.
Visita ao Canil Municipal
A entrevista também abordou a visita realizada pelos vereadores ao Canil Municipal de Torres, após denúncias apresentadas por uma ex-colaboradora de uma empresa terceirizada que atuava no local.
De acordo com Igor Beretta, a visita foi realizada a convite da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo. O objetivo foi conhecer as instalações e verificar presencialmente as condições dos animais.
O vereador afirmou que encontrou uma estrutura ampla e, segundo sua avaliação, os animais estavam sendo alimentados e recebendo cuidados. Ele também mencionou a existência de um espaço destinado à quarentena dos animais recém-recolhidos, onde eles passam por procedimentos e recebem medicação antes de serem encaminhados para os demais ambientes.
Gimi relatou que, após a visita, recebeu novas informações e transformou as denúncias apresentadas em um pedido de informações ao Poder Executivo. Segundo ele, o documento deverá ser encaminhado pela Câmara para que sejam prestados esclarecimentos sobre o funcionamento do espaço.
Durante a conversa, também foi informado que o Ministério Público já esteve no local realizando uma vistoria.
Os vereadores destacaram ainda que o Canil Municipal atende animais recolhidos em diferentes situações de vulnerabilidade. Para eles, além da estrutura de acolhimento, políticas de controle populacional, especialmente campanhas de castração, são necessárias para reduzir o crescimento desordenado das populações de cães e gatos.
Segundo os parlamentares, o espaço abriga aproximadamente 100 animais.
Torres como referência regional
A discussão sobre o Canil foi relacionada pelos vereadores a uma questão mais ampla: a concentração, em Torres, de serviços que atendem moradores de diferentes municípios.
Os parlamentares citaram, além da saúde e do acolhimento de animais, estruturas de assistência social e outros serviços que acabam recebendo demandas regionais.
Beretta afirmou que Torres frequentemente assume responsabilidades que ultrapassam a sua população e defendeu uma discussão sobre a divisão dos custos entre os municípios beneficiados.
Na avaliação dos vereadores, a condição de referência regional gera benefícios para a população do Litoral Norte, mas também representa despesas adicionais para o município-sede dos serviços.
Transporte coletivo e possibilidade de tarifa zero
O transporte coletivo também foi tema de cobrança dos vereadores ao Poder Executivo.
Igor Beretta afirmou que a Câmara aprovou a regulamentação de um novo modelo para o transporte público e que, a partir de agora, cabe ao Executivo definir questões relacionadas ao subsídio do sistema e à eventual implantação da tarifa zero.
Segundo o vereador, a proposta não envolve apenas a possibilidade de gratuidade para os usuários. Também está em discussão a ampliação ou retomada de linhas e itinerários que atualmente não atendem adequadamente determinadas comunidades.
Beretta informou que o município está realizando um estudo com a Fundatec para avaliar as linhas existentes, possíveis novos itinerários e a demanda de passageiros.
Entre as localidades mencionadas durante a entrevista estão Pirataba, Itapeva, Paraíso e Jacaré.
Os vereadores ressaltaram, porém, que a ampliação da oferta precisa considerar a utilização efetiva do serviço. Segundo eles, a manutenção de linhas sem passageiros também representa custo para os cofres públicos.
Beretta defendeu que, caso a tarifa zero seja efetivamente implantada, a medida seja colocada em funcionamento antes da temporada de verão, período em que aumenta a circulação de trabalhadores e moradores entre bairros e o centro da cidade.
Transporte também é questão de mobilidade
Gimi destacou que o transporte coletivo precisa encontrar um ponto de equilíbrio entre a sustentabilidade financeira do sistema e a oferta de um serviço adequado à população.
O vereador mencionou a concorrência de novas formas de deslocamento, como aplicativos de transporte e veículos elétricos, além do aumento dos custos operacionais das empresas de ônibus.
Ao mesmo tempo, ressaltou que um sistema público eficiente pode contribuir para reduzir a quantidade de veículos nas ruas, melhorar a mobilidade urbana e diminuir a necessidade de deslocamentos individuais.
Durante a entrevista, Beretta também citou uma demanda relacionada ao atendimento de mulheres na Praia Paraíso. Segundo ele, o serviço de transporte utilizado para levar pacientes para atendimento estava fazendo o deslocamento por um trajeto e retornando por outro, o que dificultava o retorno das usuárias para suas residências.
A Câmara, conforme relatado, está cobrando uma solução para que o transporte possa realizar o percurso de ida e volta de forma adequada.
Reforma administrativa ainda não chegou à pauta
Outro tema abordado foi a reforma administrativa em discussão no município.
Igor Beretta afirmou que, até o momento, o projeto ainda não foi oficialmente colocado na pauta da Câmara de Vereadores. Segundo ele, por isso, não existe um acordo fechado entre os parlamentares em relação ao texto.
O presidente afirmou que a proposta ainda passa por ajustes antes de ser encaminhada oficialmente ao Legislativo e descartou a possibilidade de uma tramitação acelerada sem discussão prévia.
Beretta disse que já havia manifestado posição contrária ao projeto nos moldes inicialmente apresentados, especialmente em relação aos valores e à estrutura proposta. Segundo ele, as adequações estão sendo discutidas pelo Executivo antes do encaminhamento à Câmara.
Gimi afirmou que considera legítimo que o Executivo busque reorganizar a administração municipal para adequar a estrutura às necessidades da gestão. Ao mesmo tempo, defendeu que a discussão seja feita com responsabilidade em razão do impacto financeiro das mudanças.
Limites para contratação e impacto na folha
Durante a entrevista, os vereadores também discutiram as dificuldades enfrentadas pelos municípios para ampliar o quadro de servidores por meio de concursos públicos.
Beretta explicou que a administração municipal precisa respeitar os limites estabelecidos para gastos com pessoal e outras despesas obrigatórias. Segundo ele, esse cenário faz com que os governos municipais recorram, em determinadas situações, a contratos temporários e processos seletivos.
O vereador citou ainda os percentuais mínimos de aplicação de recursos em áreas como educação e saúde e destacou que o crescimento da folha de pagamento precisa ser analisado em conjunto com as demais obrigações do município.
Na avaliação dele, uma ampliação indiscriminada das despesas permanentes poderia comprometer a capacidade de investimento em áreas essenciais.
A reforma administrativa, portanto, deverá envolver uma análise da estrutura de cargos, das necessidades dos serviços públicos e do impacto das mudanças sobre o orçamento municipal.
Beretta afirmou que a Câmara pretende garantir transparência durante a tramitação da proposta e que qualquer alteração deverá respeitar a legislação e a responsabilidade na utilização dos recursos públicos.
Debate deve continuar no Legislativo
Com diferentes demandas ainda em discussão, os vereadores afirmaram que a Câmara deverá acompanhar de perto os próximos passos do Executivo em relação ao transporte coletivo, à reforma administrativa, à saúde e às condições do Canil Municipal.
A entrevista também reforçou a cobrança por maior participação de municípios e representantes políticos na manutenção de serviços que possuem caráter regional. Para os parlamentares, Torres exerce papel estratégico no Litoral Norte, mas precisa ter mecanismos de financiamento compatíveis com as responsabilidades que assume.
As pautas deverão continuar sendo discutidas no Legislativo municipal nas próximas semanas, especialmente após o encaminhamento de novas informações pelo Executivo e a formalização de projetos relacionados à administração e ao transporte público.
Fotos: Juliana Tamaki

