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A dor lombar é uma queixa frequente e pode estar relacionada a diferentes fatores, como genética, postura, traumas, estilo de vida e características do trabalho. O alerta foi feito pelo ortopedista e traumatologista Dr. Mateus Vogado Batista, durante entrevista à Rádio Maristela nesta terça-feira (1º), no programa Revista Maristela.
Segundo o especialista, não existe uma única causa para a dor lombar. Por isso, a avaliação precisa considerar as características de cada pessoa. Dr. Mateus também destacou que exames de imagem, como a ressonância magnética, são ferramentas de apoio, mas não devem ser analisados isoladamente. Pessoas podem apresentar exames semelhantes e ter sintomas completamente diferentes.
Entre as principais medidas preventivas está o fortalecimento da musculatura. Atividades físicas como natação e musculação, desde que realizadas de maneira adequada e com orientação, podem contribuir para manter a musculatura ativa e dar maior sustentação à coluna. O médico também chamou atenção para cuidados cotidianos, especialmente ao levantar objetos.
A orientação é evitar curvar excessivamente a coluna ao abaixar para pegar peso. O movimento deve priorizar os joelhos, mantendo a coluna o mais alinhada possível. Para o ortopedista, são hábitos simples que, incorporados à rotina, podem reduzir a possibilidade de problemas ao longo da vida.
Dr. Mateus ressaltou, porém, que manter uma rotina de cuidados não significa eliminar completamente o risco de desenvolver problemas na coluna. A prevenção pode diminuir a ocorrência de lesões e, quando alguma alteração surgir, contribuir para uma recuperação mais rápida e reduzir a possibilidade de evolução para um quadro que exija cirurgia.
QUANDO A DOR PRECISA SER INVESTIGADA?
O médico orienta atenção especialmente quando a dor é forte, persistente ou não apresenta melhora mesmo após repouso. Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação profissional para identificar a origem do problema e definir o tratamento adequado.
O tratamento varia conforme cada caso e pode envolver desde medicamentos para controle da dor até procedimentos mais invasivos, como infiltrações, e, em situações específicas, cirurgia. O especialista citou como exemplo os casos mais graves de hérnia de disco com compressão de estruturas nervosas, nos quais pode haver indicação cirúrgica.
PERIGO DA AUTOMEDICAÇÃO
Um dos principais alertas da entrevista foi direcionado à automedicação. Dr. Mateus classificou como perigoso o uso indiscriminado de anti-inflamatórios para tentar controlar dores na coluna. Segundo ele, embora esses medicamentos possam proporcionar alívio, o uso prolongado pode trazer impactos negativos, inclusive sobre o sistema cardiovascular e os rins.
O médico também chamou atenção para o uso inadequado de antibióticos. O medicamento não é indicado para tratar dores em geral e seu uso sem orientação pode contribuir para problemas relacionados à resistência bacteriana.
A recomendação é que medicamentos sejam utilizados somente quando houver orientação profissional, especialmente para pessoas que já tenham histórico de problemas na coluna ou outras condições de saúde. A avaliação individual é fundamental para definir qual medicamento, dose e estratégia são adequados para cada situação.
ATIVIDADE FÍSICA
Durante a entrevista, o ortopedista também reforçou que permanecer ativo é uma das principais estratégias para preservar a saúde ao longo dos anos. A atividade, entretanto, precisa ser compatível com as condições e limitações de cada pessoa.
Caminhada, corrida, natação, hidroginástica, musculação e outras modalidades podem fazer parte da rotina, desde que adequadas à condição física individual e, quando necessário, acompanhadas por profissionais capacitados.
Para Dr. Mateus, o cuidado com a saúde musculoesquelética também depende de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo profissionais como fisioterapeutas, educadores físicos e nutricionistas, além do médico. Ele destacou, ainda, a relação entre controle do peso e redução da sobrecarga nas articulações, especialmente nos joelhos.

