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A construção de uma pista de atletismo no Parque do Balonismo, a crise do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN), a possibilidade de um novo hospital, investimentos em saúde, a abertura da Biblioteca Municipal e questões relacionadas ao plano de manejo de dunas estiveram entre os assuntos tratados pelos vereadores de Torres Cláudio Freitas (Republicanos) e Gibraltar Pedro Cipriano Vidal, o Gimi (Progressistas), em entrevista na terça-feira (15) à Rádio Maristela.



ATLETISMO
A entrevista começou com o anúncio de que Torres deverá contar com uma pista de atletismo no Parque do Balonismo. O vereador Gimi parabenizou o vereador Cláudio pela iniciativa e destacou a importância do equipamento esportivo para o município e para a região.
O vereador também defendeu que o espaço seja planejado para receber diferentes modalidades esportivas. Segundo ele, a pista não deve ser pensada apenas para corridas.
Cláudio explicou que a estrutura poderá contemplar corrida, saltos e provas de lançamento, além de um campo de futebol.
De acordo com o vereador, a licitação para a primeira etapa da obra está aberta. A primeira etapa deverá contemplar a estrutura básica. A instalação do piso sintético, segundo Cláudio, representaria um investimento maior e poderá ser buscada posteriormente.
PARQUE
Os vereadores também defenderam um planejamento geral para o Parque do Balonismo, com a definição dos espaços destinados às diferentes estruturas antes da execução das obras.
Gimi sugeriu a elaboração de um plano diretor específico para o local.
“A primeira coisa deveria existir era um projeto, um master plano. Sabendo o seguinte: a pista vai ficar aqui, depois nós vamos ter os ginásios aqui, nós vamos ter a parte de alimentação ali, vamos ter os vestiários, vamos ter estacionamento e depois vai montando e incorporando”, afirmou.
Para ele, o planejamento evitaria que diferentes obras fossem realizadas sem integração. Os vereadores também citaram a possibilidade de implantação de um ginásio no Parque do Balonismo e defenderam que o espaço seja utilizado para diferentes atividades.
Gimi ainda questionou o volume de recursos destinado ao evento do Balonismo. “Você acha que é viável a gente, nos dias de hoje, gastar seis milhões com o evento do Balonismo? Com certeza não”, afirmou. Na avaliação dele, parte dos recursos poderia ser destinada a estruturas permanentes.
CRISE HOSPITALAR
A situação do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes foi outro dos principais temas da entrevista. Gimi classificou a situação como “uma tragédia anunciada” e afirmou que há anos vem cobrando maior participação do Estado na saúde do Litoral Norte.
O vereador também criticou a concentração de serviços especializados e a necessidade de deslocamento de pacientes para outras cidades.
“Nós temos cinco hospitais regionais, que eles não colocam as especialidades em cada hospital. […] São mais de duzentas ambulâncias indo direto para Porto Alegre”, afirmou.
Ao comentar a trajetória administrativa do HNSN, Gimi mencionou a saída da antiga mantenedora e a posterior gestão do Instituto Brasileiro de Saúde (IBSaúde). Segundo ele, a expectativa era de que o déficit mensal do hospital fosse coberto com recursos públicos.
Para o vereador, o pedido de intervenção do Estado apresentado pelo Ministério Público representa uma consequência de problemas que, segundo ele, já vinham sendo apontados. Gimi, porém, considera que uma eventual intervenção somente será efetiva se vier acompanhada de recursos.
Cláudio Freitas também defendeu a participação do Estado e afirmou que o Município não teria condições de assumir sozinho a gestão de um hospital de referência.
GESTÃO
Questionado sobre a possibilidade de o Município assumir a gestão do hospital após uma eventual intervenção estadual, Gimi foi direto: “Não tem condição nenhuma.”
Segundo ele, o Município já estaria destinando recursos acima do percentual mínimo constitucional para a saúde.
“O município já coloca valores financeiros a mais. […] Para dar conta daquilo que é específico do município, já é uma dificuldade”, afirmou.
Na avaliação do vereador, a responsabilidade pela estrutura de média e alta complexidade e pelo atendimento hospitalar de referência não pode ser transferida integralmente ao Município.
Para Gimi, a atuação do Ministério Público pode representar uma mudança na condução do problema.
NOVO HOSPITAL
Os vereadores também discutiram a possibilidade de construção de um novo hospital para Torres.
Gimi considerou que essa seria uma alternativa importante, mas defendeu que, antes disso, o Estado organize a distribuição das especialidades entre os hospitais da região. Depois dessa reorganização, segundo ele, seria possível avançar na discussão de uma estrutura hospitalar modernizada.
Cláudio citou ainda um projeto anteriormente discutido para ampliação do HNSN.
“Eles negaram 23 milhões para a gente fazer o segundo andar aqui do hospital, que ia ter a parte de cardiologia, ia ter hemodinâmica, cirurgia traumática”, afirmou.
O vereador questionou a diferença de investimentos destinados a outros municípios. “Eles aportaram mais de 70 milhões em Osório por ano, aportaram mais de 56 milhões em um ano, e aqui Torres, 27 milhões”, disse.
Na avaliação de Cláudio, Torres e o Litoral Norte precisam ser considerados pelo Estado para além da perspectiva turística. “A gente sempre é o patinho feio, nunca chega aqui na ponta do nosso litoral. Isso é uma vergonha”, afirmou.
BEIRA-MAR
Entre as pautas esportivas, Cláudio também destacou a proposta de fechamento da Avenida Beira-Mar aos finais de semana para atividades físicas.
O vereador citou experiências de outras cidades brasileiras que adotaram medidas semelhantes. Cláudio também mencionou o fechamento da região da Prainha para atividades de lazer e esporte.
“Eu acho que a gente precisa andar a passos largos para isso, porque isso é saúde, e saúde é qualidade de vida”, declarou.
BIBLIOTECA
Cláudio também citou a expectativa pela abertura da Biblioteca Municipal. Segundo ele, a pauta vem sendo acompanhada em conjunto com a Secretaria de Cultura e Esporte.
DUNAS
Gimi apresentou ainda uma preocupação relacionada ao plano de manejo de dunas e às restrições para construções em determinadas áreas do município.
Segundo o vereador, há moradores que possuem terrenos que, na avaliação deles, não estariam localizados em áreas de duna com restinga, mas que passaram a enfrentar restrições para construir.
“Nós temos várias denúncias de pessoas que hoje em dia têm seus terrenos nas praias, não estão em área de duna com restinga, mas foi criado um plano de duna que nem a Câmara sabia sobre isso, que não teve aprovação legislativa”, afirmou.
Gimi também questionou a cobrança de IPTU sobre terrenos que estariam impedidos de receber construções. O vereador defendeu que a Câmara acompanhe a questão e busque esclarecimentos sobre os critérios utilizados e os impactos financeiros para o Município.
A entrevista ainda foi marcada pela defesa de uma maior aproximação entre o Legislativo e a população, com a divulgação das ações e das pautas discutidas na Câmara de Vereadores de Torres.
CONFIRA A ENTREVISTA

