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49ª Romaria da Terra do RS traduz em sua identidade visual a defesa da vida no território

por Melissa Maciel
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Itati, no Litoral Norte gaúcho e na Diocese de Osório, será o ponto de encontro de fé, ecumenismo, agricultura familiar e cuidado com a Casa Comum em 9 de fevereiro de 2027.

A 49ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul retorna ao Litoral Norte gaúcho, nove anos depois da primeira edição realizada na Diocese de Osório. Em 2027, será o município de Itati que acolherá a Romaria, no dia 9 de fevereiro, com o tema “Água, Terra e Alimento” e o lema “Quem tem sede vem à água, come o que é bom” (cf. Is 55,1-3). A iniciativa é promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – Regional Sul 3, por meio da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

A escolha nasceu de um processo coletivo de escuta e reflexão, durante as reuniões ampliadas, que reuniram lideranças sindicais, pastorais sociais, movimentos sociais, agricultores familiares, lideranças populares, cooperativas, assessorias acadêmicas e a igreja evangélica de confissão luterana da região.

O tema propõe um olhar sobre dimensões que estão profundamente ligadas à vida. Água, terra e alimento se encontram nas discussões sobre a crise climática, a concentração fundiária e as desigualdades sociais. A proposta também dialoga com a encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, ao tratar da defesa da Casa Comum e da dignidade da vida.

IDENTIDADE QUE NASCE DO TERRITÓRIO

A mensagem da 49ª Romaria também ganhou forma, cores e símbolos no cartaz oficial da edição. “ÁGUA, TERRA E ALIMENTO” aparece em azul, marrom e verde, enquanto o lema bíblico acompanha, em arco, a principal ilustração.

No centro da composição, crianças, agricultores, religiosos e integrantes da comunidade aparecem reunidos em uma paisagem que traduz a diversidade do território: araucárias e palmeiras-juçara, plantações e frutas, morros, rio e o mar, representado pela tainha e pelo boto, símbolos da vida nas praias do Litoral Norte. É uma cena que aproxima pessoas, natureza, produção, território e fé, compondo uma identidade visual que carrega elementos da vida e da cultura da região.

As faixas carregadas pelos personagens acrescentam outras mensagens à identidade visual: “Mulheres da Terra”, “Vida para todas e todos!”, “Comunidade: fé e luta” e “Cuidar da Casa Comum”. Uma criança segura a expressão “Soberania Alimentar”.

A água aparece primeiro no tema também por sua força simbólica. Ela é apresentada como fonte da vida e como símbolo bíblico da graça, do batismo, da purificação e da renovação. Em Itati, essa dimensão ganha ainda um significado próprio com a identidade do município e a própria origem do seu nome “água que brota da pedra”, dialogando com essa simbologia, evocando a água que brota da pedra como sinal da presença de Deus no meio do povo.

TERRA E ALIMENTO

A palavra Terra conduz ao chão onde a vida acontece. Na reflexão que fundamenta a Romaria, ela é apresentada como dom confiado aos povos para o cuidado e a partilha. É também o território onde famílias trabalham, produzem e constroem sua história.

Por isso, a proposta chama atenção para a destruição ambiental e as ameaças aos territórios e aponta a agroecologia, o trabalho digno e a preservação da Casa Comum como caminhos de resistência.

O Alimento completa esse ciclo. Ele nasce da relação entre água, terra e trabalho humano, mas também revela uma das contradições do nosso tempo: enquanto o mundo produz cada vez mais alimentos, milhões de pessoas continuam passando fome.

Durante a construção do tema, a professora Cátia Grisa apresentou o conceito de “policrise” num horizonte que reúne crises climáticas, alimentares, energéticas, econômicas, ambientais e geopolíticas, resultado de uma sociedade que aposta o desenvolvimento em um modelo exclusivamente consumista. Nesse cenário, o Litoral Norte também aparece como um território de possibilidades e resistência (ou re-existência), especialmente pela biodiversidade, pela agricultura familiar e pela produção de alimentos com identidade territorial.

UM CONVITE À MESA DA VIDA

Inspirado em Isaías 55,1-3, o lema fala a um povo marcado pelo sofrimento e pelo exílio e anuncia esperança e reconstrução. Vir à água significa aproximar-se da fonte que gera vida. Comer o que é bom remete a uma existência fundada na justiça, na partilha e na dignidade.

Na proposta da Romaria, esse convite ultrapassa a dimensão individual da fé e se transforma em um chamado à conversão social, ecológica e pastoral diante de realidades como secas, enchentes, fome, desigualdade e insegurança.

É nesse encontro entre espiritualidade e compromisso social, entre fé e luta, que a 49ª Romaria da Terra se prepara para chegar a Itati, na Diocese de Osório.

O território que receberá a caminhada é marcado pela água, pela Mata Atlântica, pela agricultura familiar e pelas comunidades. Nesse cenário, a Romaria reafirma sua missão de caminhar junto aos povos do campo e das águas, fortalecendo o ecumenismo, a agroecologia e a defesa da Casa Comum.

Água, terra e alimento deixam de ser apenas elementos da paisagem. Tornam-se um convite para olhar a vida, reconhecer o que a sustenta e assumir, coletivamente, o compromisso de cuidá-la.

Fonte: ASCOM Diocese de Osório / Melissa Maciel.