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Começou na manhã da última quinta-feira (24), em Tramandaí, o júri dos quatro acusados pela morte da cabeleireira Návia Regina Christan, ocorrida em novembro de 2018 no município. O Tribunal do Júri é presidido pelo Juiz de Direito Gilberto Pinto Fontoura, da 1ª Vara Criminal local, e tem previsão de terminar nesta sexta (25).
O primeiro dia de trabalhos contou com o depoimento de oito pessoas, entre testemunhas e informantes, como policiais que atuaram na investigação do caso e familiares dos envolvidos. O júri segue nesta quinta, com transmissão ao vivo no canal do TJRS no YouTube. A previsão é de que mais duas pessoas sejam ouvidas ainda nesta noite.
A acusada Silvana Christan e o acusado Joares Antônio Pellinson, respectivamente irmã e cunhado de Návia, respondem por homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Os réus Rosane de Lima Araújo, que era manicure e funcionária de Silvana, e Robsom Araújo de Moraes Soares respondem pelo mesmo crime, com as qualificadoras mediante paga ou recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Primeiro dia
As cinco primeiras testemunhas a serem ouvidas foram indicadas pelo Ministério Público. Dois membros da Polícia Civil, um Delegado de Polícia e um Escrivão, respectivamente, que atuaram no caso, detalharam procedimentos e diligências realizadas para a investigação. Em seguida, a irmã da vítima e da ré Silvana falou como informante em Plenário, respondendo a questionamentos da acusação e da defesa sobre a relação e as possíveis desavenças entre os familiares. A mulher também descreveu as consequências da morte de Návia, sobretudo, na vida da filha da vítima, sua sobrinha, que presenciou o crime em 2018.
As próximas a prestarem depoimento trabalharam com Návia no salão de beleza e mencionaram que a relação com a cabeleireira extrapolou o âmbito profissional, sendo a vítima considerada como uma amiga pessoal. As duas narraram o período em que conviviam com Návia e responderam a perguntas sobre eventuais ameaças sofridas por ela no período que antecedeu a sua morte.
Na sequência, falaram testemunhas e informantes arrolados pelas bancadas de defesa dos réus. Entre eles, duas profissionais que trabalharam com Návia e Silvana e descreveram a relação que mantinham com as duas enquanto funcionárias. Uma delas também foi questionada sobre uma possível ameaça feita pelo casal réu contra Rosane, que teria sido relatada a ela.
Em seguida, a filha de dois dos réus – a irmã e o cunhado da vítima – foi ouvida no julgamento. Ela explicou como a família se relacionava, na infância e mais recentemente, e esclareceu sobre eventuais desavenças entre as irmãs (a ré e a vítima). Também prestou depoimento o ex-marido de Rosane, que respondeu questionamentos sobre o próprio envolvimento e o da ex-companheira no caso.
Caso
Návia, conhecida na cidade como Maninha, era proprietária de um salão de beleza, assim como a irmã dela. Ela sofreu uma tentativa de assassinato em 2017, quando teve a casa invadida e foi atingida por um tiro no rosto. Os ferimentos deixaram sequelas permanentes físicas e cognitivas. Por este crime, os acusados já foram julgados e condenados. Em 5 de novembro de 2018, Maninha teve o salão invadido e foi morta no local, atingida por três tiros. A irmã e o cunhado da cabeleireira são apontados pelo Ministério Público como mandantes do crime, que teria sido motivado por desentendimentos familiares. Segundo a acusação, o casal acreditava que a vítima queria prejudicá-los financeiramente. Rosane e Robsom teriam sido pagos para intermediar a contratação dos executores. Dois homens acusados da execução já foram julgados e condenados em 2022.
Texto: Ascom TJRS e fotos: Créditos: Juliano Verardi/TJRS

