Completando duas décadas de existência no âmbito da Igreja Católica no Brasil, a Pastoral da Aids – em atividade desde 2002, procura expressar em todo o país, na linguagem da Igreja, o trabalho de conscientização e prevenção ao HIV, também no acolhimento e acompanhamento das pessoas que vivem e convivem com HIV e AIDS.

Foto: arquivo

A pastoral integra a Comissão Episcopal Pastoral Para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e tem presença organizada em 17 regionais, que compreende 25 Estados da federação, e 75 dioceses. Há atuação de agentes em processo de organização em outras 100 dioceses. O trabalho é desenvolvido por agentes voluntários, priorizando as áreas de educação preventiva, incentivo ao diagnóstico, acolhimento, acompanhamento de pessoas vivendo com HIV e incidência política.

De acordo com a Secretaria Nacional, a pastoral, em sintonia com o chamamento do Papa Francisco e da CNBB, reforça o compromisso do cuidado com a vida (bem maior), com os Direitos Humanos, com políticas públicas equitativas e igualitárias. “Contudo, ainda estamos em pandemia, tempo de cuidado redobrado consigo mesmo e com os outros. Tempo de distanciamento social, de não aglomeração de pessoas, de uso de máscara e álcool em gel.”, ressalta.

Ainda segundo a pastoral, “procuramos organizar um planejamento que respeite estes cuidados, sem esquecer que o HIV continua existindo e ainda é necessário reforçar o direito que as pessoas têm de ter acesso ao diagnóstico oportuno, tratamento e medicação, além de acesso facilitado aos insumos de prevenção, nas suas variadas possibilidades.”

Planejamento 2022

Para este ano, a Pastoral da Aids volta seu olhar para a construção coletiva do novo Plano Pastoral 2023-2026, que será elaborado com a contribuição de cada regional durante o ano, culminando na Assembleia Nacional prevista para acontecer em setembro na cidade de Vitória, atual sede da Secretaria Nacional.

Além disso, serão realizadas as três atividades fixas do calendário: a Vigília pelos mortos de Aids em maio, Campanha da Acolhida e Solidariedade em agosto e a Campanha alusiva ao Dia Mundial de Luta Contra a Aids no dia 1º de dezembro.

“Ainda iremos permanecer com nossas campanhas de arrecadação de doações diversas para que possa ser um alento a tantas famílias por nós assistidas e necessitadas.”, destaca a secretaria nacional.

No limite da vida

O universo que envolve a epidemia do HIV é complexo. A Pastoral da Aids aponta que muitas pessoas são reticentes a este trabalho e muitas vezes se experimenta fracassos e desilusões.

“Temos convicção de que muita gente redescobre o sentido da vida por causa do contato com a Pastoral e seus agentes.”, diz a secretaria Nacional.

E continua “atuamos num terreno movediço, com pessoas de diferentes credos, muitas sem nenhuma vinculação religiosa. Lidamos com o limite da vida, com pessoas que estão na marginalidade e com muitas dificuldades de se reintegrarem. No entanto, estamos nestes ambientes para manifestar o rosto misericordioso de Deus e sinalizar o amor incondicional do Pai que nos ama apesar de tudo.”, ressalta.

A Pastoral da AIDS trabalha em parceria com o Ministério da Saúde do Brasil, à medida que coloca suas ações em sintonia com o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, assegurando dessa forma, em lugar de sobrepô-las, a ampliação das respectivas ações.

Principais campos de atuação

O Plano da Pastoral da AIDS aprovado na última assembleia de outubro de 2019, estabeleceu quatro linhas principais e norteadoras de ação: formação de agentes, prevenção, acompanhamento das pessoas vivendo e convivendo com HIV e incidência política. São elas que dão o rosto e a contribuição da Pastoral da AIDS para o enfrentamento da epidemia no Brasil.

Fonte: CNBB