O bispo de Montenegro e referencial da Pastoral da Comunicação no Rio Grande do Sul, dom Carlos Romulo Gonçalves e Silva, concedeu entrevista ao Vatican News e começou falando sobre a mensagem do Papa Francisco para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais que, neste ano, será celebrado em 29 de maio. Com o título “Escutar com o ouvido do coração”, o texto traz a dimensão da escuta em tempos de redes sociais. Dom Carlos comentou sobre a importância da escuta no processo sinodal da Igreja, porque “quando alguém não escuta o outro, essa pessoa também não escuta Deus”: essa abertura para escutar o outro e a sua realidade, acrescentou ele, “me permite também ser uma pessoa que escuta o Senhor, que fala.”

A íntegra da mensagem do Papa

“Escutar com o ouvido do coração”, é o título da mensagem do Pontífice para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Pascom no RS

Já a atuação da Pascom no RS foi apresentada no Vaticano, quando conheceram o Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, por ocasião da visita ad Limina dos bispos gaúchos na primeira semana de maio. Em especial, sobre os recursos utilizados durante o período crucial da pandemia, quando a coordenação da Pascom promoveu visitas on-line às dioceses, envolvendo ainda mais os leigos, sacerdotes e religiosos que trabalham na área:

“Já tivemos retorno porque, comunicação sempre tem – bem ou mal ou limitada -, mas foi feita uma articulação maior onde não havia uma Pascom organizada. Nós temos sempre o Muticom, que vai acontecer no final de novembro deste ano, e aí reunimos todos os que trabalham com Pascom numa formação. Porque é sempre aquele tripé da articulação, da espiritualidade e também da formação técnica de todos.”

E é justamente sobre o processo de formação o tema de aprofundamento do referencial da Pascom no RS, um elemento importante do tripé da comunicação para fazer com que as pessoas envolvidas no trabalho cresçam “como cristãos na missão”:

“O maior desafio é a formação porque nós temos muitas pessoas disponíveis, a maioria são jovens que se dispõem a ajudar na comunicação, mas nós precisamos amadurecer muitos elementos. Porque, como estamos trabalhando como Igreja, não é simplesmente apresentar uma foto, um vídeo. O comunicador também precisa se realizar como leigo naquilo que ele está fazendo. Então, essa é uma preocupação que nós temos: de não ser só como quase que um instrumento que vai ali junto com a câmera levar algo, mas que esta pessoa também cresça numa mística, numa espiritualidade para que ela se realize como leigo trabalhando no campo da comunicação; que ali seja o seu ministério, a sua missão na Igreja. E quando a pessoa compreende isso ela também vai comunicar melhor, porque vai também entender melhor aquilo que a Igreja está dizendo, aquilo que a Igreja também precisa ouvir.”

As oportunidades criadas pela pandemia

Uma formação que se viu desafiada sobretudo durante a pandemia. As dioceses se viram obrigadas a se reinventar, criando cursos e transmitindo as missas em modalidade on-line, por exemplo, mesmo com todas as limitações locais, para “não se perder a conexão com o povo que estava sofrendo”. Dom Carlos, então, lembrou do episódio de uma fiel da paróquia:

“Um dia um padre me disse assim: uma senhora da minha paróquia estava acompanhando a missa transmitida por um canal de televisão, só que ela descobriu que a paróquia estava transmitindo direto da igreja pelo celular. E ela disse que queria acompanhar da paróquia, ‘eu quero ouvir o que o meu padre está dizendo nesse momento, eu quero ver o altar’, … Então, esta ideia imediata diante de um grande drama de todas as paróquias e agora o retorno do povo, que graças a Deus está sendo muito bom, eu também acredito que foi por não tê-los abandonado.”

Fonte: Vatican News